Arquivo - Nov 2000
Mídias Sociais: uma estrutura estratégica pela McKinsey
Na última semana, a consultoria McKinsey publicou um interessante artigo intitulado “Demystifying social media” (Desmistificando a Mídia Social), que apresenta conclusões a partir da experiência desses profissionais com as práticas de mídias sociais de seus clientes, além de um estudo original sobre o comportamento de compra do consumidor que batizaram de “Jornada de Compra”. Vale seguir os passos da argumentação dos autores e complementar com observações próprias sobre a realidade empresarial brasileira.
Mídias Sociais: pare de experimentar e comece a agir estrategicamente
Uma primeira observação de alto impacto para os empresários brasileiros é a constatação de que, considerando a experiência e os dados que já estão acumulados sobre o marketing nas mídias sociais, não faz mais sentido tratá-las como se fossem um “experimento”. É imperativo adotar uma abordagem estratégica capaz de canalizar o poder das mídias sociais em benefício da empresa.
A questão é que, segundo os autores, e também de acordo com nossa própria experiência e observações, a maioria dos executivos não têm a mínima ideia de como aproveitar o poder das mídias sociais. Os autores apontam duas causas para essa dúvida.
Em primeiro lugar, é difícil estabelecer uma política para como e quando influenciar as conversas dos consumidores sobre marcas, considerando a diversidade e a dispersão de comunidades e plataformas em que elas ocorrem. Além disso, um tema pode se espalhar rapidamente e desaparecer em seguida, enquanto outros temas podem gerar conversas por meses ou anos. O segundo motivo apontado pelos autores refere-se à ausência de uma unidade de medida unificada de resultados capaz de justificar o emprego intensivo de recursos humanos e financeiros a essa tarefa.
As 4 tarefas essenciais do marketing em mídias sociais
Para superar essa ambiguidade e fornecer uma estrutura clara para avaliação de investimentos, planejamento, estruturação e desempenho, os autores identificaram as 4 tarefas básicas que podem ser cumpridas nas mídias sociais. São elas:
1. Monitorar
É a tarefa passiva de acompanhar constantemente o que está sendo dito sobre a marca, a empresa, seus produtos. É uma tarefa permanente, que deve ser executada de forma ininterrupta. Mesmo sem entrar em contato com os consumidores diretamente, um programa de monitoramento deve ser capaz de informar à empresa sobre todos os aspectos que circundam sua marca, possibilitando antecipar-se a crises e identificar oportunidades em estado latente.
2. Responder e Reagir
Em determinado momento, a empresa pode ser conveniente passar da observação à ação, respondendo de forma pessoal e direta aos comentários dos usuários das redes sociais, por exemplo, para descobrir oportunidades de vendas ou prestar serviços ao cliente no pós-venda. Na maior parte dos casos, essa tarefa exerce um papel no gerenciamento de crises. Esta é uma tarefa cuja importância tende a crescer, já que as respostas proverão uma oportunidade de gerenciar percepções sobre a marca, neutralizando o efeito dos comentários negativos e reforçando o efeito dos comentários positivos.
3. Amplificar
“Amplificar” é a tarefa de marketing que se dirige a motivar os clientes a compartilhar e engajar-se em torno de sua marca. Isto significa que os conceitos centrais das campanhas em mídias sociais devem convidar os clientes a uma experiência que eles possam estender através de uma conversa sobre a marca, o produto ou a empresa com outros clientes e entusiastas. Uma vez que o cliente tenha decidido comprar o produto, a empresa pode usar as mídias sociais para amplificar o engajamento dos clientes e desenvolver a lealdade à marca, desenvolvendo e mantendo comunidades sobre marcas e produtos com o objetivo de resolver a ansiedade pós-compra, assegurando aos clientes sobre a qualidade de sua decisão de compra e fornecendo informações sobre como obter o máximo do produto adquirido.
4. Liderar
As mídias sociais podem ser usadas proativamente para liderar consumidores ao longo de mudanças comportamentais a longo prazo, uma tarefa que pode envolver o aumento da consciência da marca através da canalização de audiência para conteúdo sobre produtos e serviços existentes e criar burburinho em torno de lançamentos de produtos.
Finalmente, as mídias sociais também podem ser usadas para solicitar as opiniões pós-compra dos clientes, levando a uma de pesquisa de baixo custo para desenvolvimento e melhoria de produtos.
Um mapa estratégico para as ações em mídias sociais
Sendo assim, os executivos não podem mais tratar as mídias sociais como uma tarefa auxiliar. Uma política consistente de mídias sociais abre o caminho para excelentes oportunidades de:
1 – Criar novos ativos para a marca, como conteúdo criado por consumidores ou ideias a partir de seu feedback,
2 – Abrir novos canais para interações,
3 – Reposicionar completamente uma marca através da interação da empresa com seus clientes e demais públicos de interesse.
Ao articular as 4 tarefas básicas do marketing em mídias sociais com as fases do processo de compra do consumidor, os autores formataram um “mapa do terreno” essencial para orientação estratégica, definição de atividades, objetivos, investimento, desempenho e retorno.
Embora seja possível atuar em todos os pontos do mapa ao mesmo tempo, na prática cada empresa deve identificar em seu próprio mercado quais são os pontos críticos em seu em que ela tem maior probabilidade de obter os melhores resultados e focalizar seus esforços em ações nesses pontos-chaves.
O impacto das mídias sociais deve ser medido muito além de métricas frias de volume de tráfego: é possível e necessário determinar a” nuvem de burburinho” em torno da marca e então calcular como a mídia social poderá ser usada para induzir o comportamento de compra, usando esse conhecimento como fundamento para todas as ações que serão desenvolvidas a seguir.
Precisa de ajuda para deixar de experimentar em mídias sociais e definir sua estratégia de ação? Entre em contato através do formulário a seguir!
Geração do Milênio e o marketing em mídias sociais no Brasil
O Boston Consulting Group (BCG) realizou um estudo sobre a geração do Milênio (também conhecida como “geração Y”) nos Estados Unidos, procurando identificar seus hábitos de consumo e entender melhor seu relacionamento com as marcas. A pesquisa envolveu entrevistas com 4000 membros da geração do Milênio – pessoas entre 16 e 34 anos – e 1000 indivíduos com idade entre 35 e 74 anos, definidos como “não-Milênios”. Para efeito de simplificação da linguagem, vamos nos referir aos membros da geração do Milênio neste artigo como “Milênios”.
Percepção e autopercepção dos Milênios
A primeira pergunta importante do estudo revela diferenças no modo como os Milênios percebem a si mesmos e como são percebidos pelos não-Milênios. Confira a “tag cloud” da figura 1.
Figura 1 – Os Milênios têm uma visão geralmente favorável de si mesmos, em contraste com a avaliação muito mais severa dos não-Milênios. Fonte: BCG
Uma consequência fundamental dessa diferença de percepção é a vantagem que terão as empresas capazes de superar seus próprios preconceitos e de aceitar, compreender e explorar a autopercepção dos Milênios em suas ofertas de produtos e marcas.
Os Milênios, como se suspeitava, são notórios consumidores de tecnologia, sentindo-se extremamente confortáveis com as inovações tecnológicas. Veja alguns dados na figura 2.
Figura 2 – Nascidos num mundo digital, os membros da geração do Milênio são mais confortáveis com a inovação tecnológica. Fonte: BCG Imagem: Géssica Hellmann & Cia.
Mais tempo online, menos tempo diante de livros impressos e da TV. Somente 26% dos Milênios passam mais de 20 horas semanais diante da TV, contra 49% dos não-Milênios, sendo mais provável que o façam através de serviços online do que no aparelho tradicional.
Traços comportamentais e atitudes dos Milênios
Com relação às atitudes e comportamentos genéricos relacionados à geração, o BCG destaca 4 traços fundamentais do Milênios:
- Imediatismo: Facilidade, rapidez, eficiência e conveniência são fatores extremamente valorizados em todas as relações de consumo. Como estão sempre apressados, uma questão chave para o marketing é determinar como fazê-los gastar mais tempo com sua marca.
- Testemunhos: a autoridade mais confiável para testemunhar sobre a qualidade de um produto é o usuário com uma experiência de primeira mão para relatar, mais do que o profissional ou o acadêmico. A probabilidade de que um Milênio procure saber mais sobre uma marca nas redes sociais é de 53% contra 37% entre os não-Milênios.
- Sociabilidade: Os Milênios usam a tecnologia para conectar-se a um número maior de pessoas, com maior frequência e em tempo real. Usam mais as mídias sociais, têm maior número de “amigos” e “seguidores” do que os não-Milênios, e concordam fortemente com a noção de que suas vidas são mais ricas quando estão conectados a pessoas nas mídias sociais.
- Causas: Os Milênios acreditam mais em incorporar às causas a seu dia a dia, por exemplo, comprando produtos associados a uma causa, do que fazendo doações isoladas em dinheiro. Por outro lado, o engajamento em trabalho voluntário é bem menor do que esperado, tendo sido cunhada a palavra “folgativismo” (“slacktivism” em inglês) para descrever o engajamento que requer pouco esforço pessoal.
Segmentação dos Milênios
Sendo óbvio que há imensas variações individuais dentro de uma mesma geração, o BCG realizou um esforço de segmentação, identificando seis grupos principais.
- Hip-ênios: Representam 29% do total. Identificam-se com a frase. “Eu posso fazer do mundo um lugar melhor”. Definidos como consumidores cautelosos, dotados de consciência global, espirito beneficente, ávidos por informação. São os maiores usuários de mídias sociais, mas não contribuem com muito conteúdo. A maioria são mulheres com empregos abaixo da média.
- Gurus de gadgets: Somam 13% do total. Identificam-se com a frase “É um grande dia para ser eu”. Bem sucedidos, antenados, confiantes, sentem que esta é sua melhor década. São grandes consumidores de dispositivos tecnológicos e contribuem fortemente com conteúdo. A maioria é de homens solteiros com renda acima da média.
- Mamães do Milênio: Somam 22% e sua frase é “Eu adoro fazer ginástica, viajar e mimar o meu bebê”. São ricas, confiantes, orientadas para a família, praticam atividades físicas. São íntimas de tecnologia, intensas em sua atividade online, altamente sociáveis e ávidas por informação. Podem se sentir isoladas em sua rotina diária. São mais velhas e com a renda mais alta.
- Verde e Limpo do Milênio: Somando 10%, sua frase é “Eu posso cuidar de mim mesmo e do mundo à minha volta”. Impressionáveis, orientados para causas, saudáveis, verdes, otimistas. Contribuem com grande volume de conteúdo, normalmente relacionados a alguma causa. Em sua maioria são homens, jovens, hispânicos, estudantes em tempo integral.
- Anti-Milênio: Representam 16% do total e sua frase é “Estou ocupado demais cuidando de meus negócios e da minha família para me preocupar com outras coisas”. Conservadores, com mentalidade local, não estão dispostos a gastar mais por produtos “verdes”. Procuram conforto e familiaridade em vez excitação, mudança ou interrupções em sua rotina. Maioria de mulheres, hispânicas, moradores do Oeste dos Estados Unidos.
- Milênio da velha escola: Totalizam 10%. Sua frase: “O Facebook é muito impessoal, vamos nos encontrar para tomar um café”. Consumidores cautelosos, confiantes, independentes, autodirecionados. Gastam o menor tempo online entre todos os segmentos. São mais velhos e, mais provavelmente, hispânicos.
Consequências para o empresário brasileiro
É evidente que uma descrição de mercado em termos como os da pesquisa do BCG exerce um imenso impacto sobre as decisões de marketing das empresas atuantes nos Estados Unidos. Desde o conceito do produto até o seu design, distribuição, preço e comunicação, tudo deverá ser adaptado para adequar-se à descrição do seu consumidor-alvo, tendo em vista o seu comportamento e os seus valores. Entretanto, o fato da pesquisa ter sido realizada nos Estados Unidos pode suscitar a crítica fácil de que “a realidade brasileira é diferente e, portanto, esses resultados não servem para nossa realidade”.
Em primeiro lugar, é preciso considerar que a realidade brasileira não é estanque em relação ao resto do mundo. Cada vez mais, nossa população está conectada à internet, utilizando serviços e produtos móveis. Por exemplo, no mês de março de 2012, o número de celulares em todo o Brasil ultrapassou a barreira dos 250 milhões, sendo que os acessos 3G chegaram a 52 milhões.
Em segundo lugar, a atração da população brasileira pelas redes sociais sequer chega a ser novidade, como atesta pesquisa da Experian Marketing Services, que revela que os acessos ao Facebook no fim de semana já superam os acessos ao Google.
Em terceiro lugar, os serviços de redes sociais mais populares, sendo a maioria deles originários e sediados nos Estados Unidos, expõem nossa população ao convívio diário com os valores e comportamentos típicos da população americana, sendo natural uma absorção ainda que parcial dessa visão de mundo.
Em quarto lugar, a população brasileira também está exposta ao marketing nas redes sociais e também vai consolidando na posição de objetos de desejo os mais diversos gadgets tecnológicos, sendo natural o compartilhamento de informações sobre os diversos produtos.
Em quinto lugar, como o marketing está se tornando cada vez mais global, as marcas estrangeiras disseminam ao redor do mundo mensagens promocionais desenvolvidas com base em caracterizações de público-alvo geradas no mercado norte-americano.
Considerando todos esses fatores, embora evidentemente não seja possível dizer que os resultados da pesquisa do BCG se aplicam diretamente ao caso brasileiro, consideramos pouco razoável descartá-los aprioristicamente sem a aplicação de um estudo semelhante à nossa população.
O que o bom senso nos diz é que toda a informação em torno da geração dos Milênios e o imenso interesse pela expressão geração Y provavelmente acaba por gerar pelo menos um efeito de profecia autorealizável: os jovens passarão a crer que participam da geração Y com base no que leram sobre a geração Y e com base no que o marketing das empresas globais comunicam sobre esse público.
Figura 4 – O Google Trends informa uma explosão de interesse pela expressão "Geração Y" a partir de 2010
Sendo assim, os empresários brasileiros devem atuar cada vez mais nas redes sociais com o objetivo de coletar informações em primeira mão com esse público, registrando suas semelhanças e diferenças com o caso americano e usando esse precioso recurso para gerar vantagem competitiva sobre seus competidores internacionais.
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Pesquisa: líderes devem engajar-se nas mídias sociais
Como vimos no último artigo, os próprios executivos de marketing têm consciência dos benefícios das mídias sociais para sua estratégia de negócios. Porém, muitos líderes empresariais e executivos do topo da hierarquia das empresas permanecem ausentes das mídias sociais, embora já seja possível observar a presença constante de alguns desses, sendo um bom exemplo brasileiro o perfil de Eike Batista no Twitter. Assim, surge a questão inevitável: a participação de líderes empresariais nas mídias sociais pode ou não beneficiar suas empresas?
Em busca de respostas a essa questão, a empresa BrandFog realizou um estudo consistindo de 13 perguntas dirigidas a centenas de funcionários de todos os níveis hierárquicos de empresas cujo porte variava desde startups a empresas presentes nas 500 maiores empresas do ranking da Fortune, abrangendo uma ampla seleção de setores e regiões geográficas. Acompanhe a seguir o principais resultados dessa pesquisa.
- Preparo para desafios: 81% dos respondentes afirmaram que os líderes empresariais engajados nas mídias sociais estão mais bem equipados para liderar suas empresas no mundo da web 2.0.
- Relacionamentos melhores: A maioria dos respondentes acredita que os líderes que participam das mídias sociais podem estabelecer melhores relacionamentos com clientes (89,3%), funcionários (84,7%) e investidores (66,3%).
- Comunicação, imagem e transparência: A participação dos líderes empresariais nas mídias sociais conduz a melhor comunicação (78%), melhor imagem da marca (71%) e maior transparência (64%).
- Importância estratégica: O engajamento do CEO nas mídias sociais é considerado muito importante para a empresa por 86% dos respondentes.
- Confiança: 82% acreditam ser mais fácil confiar em uma empresa cujos líderes participem nas mídias sociais.
- Intenção de compra: 77% são mais inclinados a comprar das empresas com maior participação das lideranças nas mídias sociais.
- Valores e reputação da empresa: 93% veem melhorias na comunicação dos valores corporativos, na moldagem da reputação da empresa e na capacidade de liderar em tempos de crise.
- Imagem da marca: Nada menos que 94% veem melhorias significativas na imagem da marca.
- Responsabilidade social: A comunicação dos valores de responsabilidade social da empresa é melhorada para 92% dos respondentes.
- Ambiente de trabalho: 78% dos respondentes declaram sua preferência por trabalhar nas empresas com maior participação dos líderes nas mídias sociais.
Após essas 10 perguntas sobre a percepção, a BrandFog dirigiu 3 questões sobre a atuação real dos executivos e da empresa em que os respondentes trabalhavam.
- Atuação da empresa nas mídias sociais: as mídias mais citadas foram o Facebook (81%), o Twitter (79,3%), o Linkedin (72%) e o blog corporativo (56%).
- Atuação do CEO nas mídias sociais: Comparativamente, a atuação do CEO nas redes sociais é baixa, sendo mais frequente no Twitter (50,3%), no Linkedin (47%), no Facebook (45%) e no blog corporativo (38%).
- Presença dos líderes nas mídias sociais da empresa: As respostas mais frequentes revelaram a presença do CEO em 47,4% dos casos e de nenhum executivo de topo em 30,2% das respostas.
A conclusão inevitável desse estudo é a de que embora a participação dos líderes nas mídias sociais envolvam grande consumo de tempo e uma certa dose de risco que vem do excesso de exposição, é fato que os líderes empresariais dos próximos anos deverão incluir entre suas habilidades a capacidade de expor estrategicamente sua própria imagem e nome nessas mídias. Cada vez mais, funcionários e clientes esperam que os líderes empresariais sejam capazes de expor, defender e vender suas ideias, práticas e produtos, endossando com sua imagem as ações de suas empresas. Assim, se você é um líder empresarial e ainda faz ideia de como iniciar sua atuação nas mídias sociais, entre em contato através do formulário a seguir.
Facebook Insights: como usá-lo para tomar decisões estratégicas de conteúdo e divulgação
Se você já tem uma página corporativa no Facebook, provavelmente já sentiu o drama de tentar extrair algum sentido da avalanche de informações que fornecidas pelo Facebook Insights. Caso ainda não tenha visto esses dados, visite sua própria página corporativa logado como administrador. Clique no ícone de configurações e, em seguida, em “Ver dados”.
Figura 1 – Como acessar o Facebook Insights, o serviço de estatísticas do Facebook para páginas corporativas – Imagem por Géssica Hellmann & Cia
Na página que vai se abrir, você terá acesso a uma página de gráficos e tabelas, que formam apenas a ponta do iceberg. Se você quiser mesmo ver TODOS os dados que o Facebook coleta sobre sua página corporativa, você precisa clicar no botão “Exportar dados”.
Uma caixa de diálogo vai se abrir, com diversas opções de exportação.
Figura 3 – Como exportar dados do Facebook Insights para uma planilha do Excel – Imagem por Géssica Hellmann & Cia.
O resultado é uma planilha gigante, com dezenas de colunas de dados, descrevendo micrometricamente cada mínima interação de cada usuário com sua página corporativa no Facebook.
Os diferentes dados oferecidos podem ser úteis para os mais diversos objetivos mas, para começar, uma excelente sugestão é seguir o conselho da analista do Hubspot, Anum Hussain, e ater-se inicialmente a monitorar apenas as 3 variáveis mais importantes:
- Total de Cliques em “Curtir” (ou, no português do Facebook, “Vitalício Total de opções “Curtir”): Mostra o número de pessoas que clicaram no botão “Curtir” em sua página corporativa no Facebook desde o início.
- Amigos de Fãs (Diário) (ou “Diariamente amigos de fãs”): Mostra o número total de amigos de todos os seus fãs, representando o número máximo de não-fãs que poderiam ver o conteúdo que você publica em sua página.
- Consumo Diário da Página (ou “Diariamente total de consumidores”): Mostra o número de cliques no conteúdo publicado.
Todas as outras colunas poderiam ser deletadas, segundo a analista do Hubspot, mas sugerimos que você mantenha os demais dados, apenas copiando e colando as colunas de dados acima em uma nova planilha. Afinal, acreditamos que a perspectiva da Anum Hussain é um pouco radical demais em relação a dados que podem ser úteis para um refinamento tático, como eventuais tendências de curto prazo nos movimentos de “Curtir” e “Descurtir”, além de medidas como “Alcance”, “Impressões” e “Consumidores”.
De qualquer forma, uma vez que você tenha simplificado sua planilha às 3 variáveis definidas anteriormente, você poderá criar uma nova coluna intitulada “Alcance Total Diário”, representando a soma do valor da coluna “Total de Cliques em Curtir” com a coluna “Amigos de Fãs (Diário)”. Essa variável representa o total de pessoas que efetivamente podem ver o conteúdo publicado em sua página, sejam elas fãs ou não-fãs.
Figura 5 – Como calcular o Alcance Total Diário de sua página empresarial no Facebook – Imagem por Géssica Hellmann & Cia
Assim, você pode criar um gráfico exibindo a evolução do Alcance Total Diário de sua página empresarial no Facebook:
Basicamente, o que você deseja observar é a tendência ao longo do tempo. Se a tendência for de crescimento no ritmo previsto no seu plano, não é necessário se preocupar. Uma tendência de estagnação ou redução no alcance diário total deve soar um alerta na sua equipe de marketing e levar a ações visando ampliar sua divulgação.
Você também deve acompanhar os dados de “Consumo Diário da Página” em um gráfico à parte.
Neste gráfico, você deve observar:
- Picos de Consumo: qual foi o conteúdo ou conteúdos específicos que geraram o consumo excessivo? Foi um conteúdo relacionado a algum interesse passageiro em um assunto “quente” ou você tem em mãos uma oportunidade real de ampliar o interesse em sua página abordando mais frequentemente esse tema? Por outro lado, quais conteúdos simplesmente não despertam o interesse do seu público, devendo ser deixados de lado?
- Comportamento ao longo da semana e do mês: Em quais dias da semana ou quais dias do mês você consegue captar o maior engajamento dos seus fãs? Inversamente, quais são os períodos em que seus esforçam resultam praticamente inúteis.
- Reversão de tendências: Você fez uma publicação (ou conjunto de publicações) que deu início a um aumento ou redução inesperados na tendência de cliques no seu conteúdo? Como capitalizar essa oportunidade ou corrigir esse erro?
Em resumo, a partir de apenas dois simples gráficos você tem um guia capaz de orientá-lo estratégica e taticamente na produção de conteúdo para sua página empresarial no Facebook. Caso precise de ajuda para formular sua estratégia, basta entrar em contato através do formulário a seguir.
Marketing para músicos iniciantes – Parte 1 – Etapas para uma trajetória de sucesso
Qual a diferença entre os músicos que dão certo e os que fracassam?
Para produzir esta série de artigos, estudamos a carreira de literalmente centenas de músicos. Durante esse estudo, vimos músicos talentosos e vimos músicos não tão talentosos. Vimos músicos teimosamente aferrados a seus princípios e outros músicos com uma visão bastante flexível de sua arte. Vimos egos musicais gigantes e músicos de temperamento humilde. Vimos músicos mau humorados, de personalidade intragável e vimos músicos simpaticíssimos a quem todos queriam bem. Vimos músicos preguiçosos e músicos dedicadíssimos. Vimos músicos disciplinados e músicos totalmente despreocupados de qualquer rotina profissional.
O que descobrimos em decorrência dessas observações pode parecer surpreendente: nenhum dos fatores mencionados tem importância chave quando se trata de obter sucesso na carreira musical. Seja qual for o perfil de personalidade que você queira traçar, sempre será possível encontrar alguns exemplos de sucessos estrondosos e fracassos retumbantes.
Se a proposta musical, o talento, os princípios, o ego, a personalidade e outros fatores não são os elementos primordiais na determinação do sucesso, quais são eles então?
Em busca da resposta a essa intrigante pergunta, analisamos as biografias de dezenas de músicos e não ficamos surpresos ao descobrir que o elemento comum a todos os casos de sucesso foi a observância de uma conduta estratégica – de uma estratégia de marketing, se preferir.
A diferença não está no conteúdo, mas na trajetória
Embora, na esmagadora maioria dos casos, o músico bem sucedido não tivesse uma formação ou experiência específica em marketing, o fato é que, fosse intuitivamente ou a partir da convivência com outros músicos mais experientes, todos eles, em determinado momento de sua carreira, adotaram uma conduta estratégica que acabou por conduzi-los ao sucesso.
Os casos de fracasso nos forneceram a contra-prova, ao demonstrar que tanto os casos de músicos que jamais decolaram quanto os que experimentaram o sucesso durante algum tempo e acabaram declinando rapidamente, envolveram a inobservância de pelo menos um dos princípios que apresentamos a seguir.
O que apresentaremos a seguir é apenas um resumo informal, uma introdução aos principais achados de nossa pesquisa. A intenção é que este artigo possa servir de guia prático para que o músico iniciante comece a planejar sua carreira de forma a aumentar a sua probabilidade de sucesso. Para o músico mais experiente, este artigo pretende oferecer um guia para diagnóstico. Após ler este artigo, o músico experiente poderá avaliar porque ainda não atingiu o sucesso que desejava, ou porque o deixou escapar entre os dedos após um período promissor – e o que é possível fazer para recuperá-lo!
O seu mapa de viagem
Mais do que explicações, esta série de artigos pretende oferecer um guia para a ação. Nós achamos que se você conseguir entender porque ainda não conseguiu o sucesso, ou porque o perdeu, você precisa saber em seguida o que fazer para atingi-lo ou recuperá-lo.
O primeiro elemento comum que salta aos olhos em praticamente todas as histórias de sucesso musical é uma trajetória. Com ligeiras variações, em algum momento de suas vidas os músicos bem sucedidos começam a seguir um rumo que invariavelmente os leva até o sucesso. Nós identificamos as etapas gerais dessa trajetória e as apresentaremos logo a seguir, com todas as tarefas que precisam ser cumpridas em cada uma delas.
Quando a sorte se transforma em azar
É importante que você perceba que uma das principais causas de fracasso é a queima de etapas. As causas mais comuns de queima de etapas são duas. A primeira é a imaturidade, seja profissional ou emocional. Nesse caso, os músicos “acham” que já estão prontos para a etapa seguinte sem adquirir a experiência necessária na etapa anterior e, como resultado, obtêm desempenho fraco na etapa seguinte.
A segunda causa comum de queima de etapas é a falsa sorte: aquele “sorte” que se transforma em “azar” após algum tempo. Basicamente, os músicos que obtêm sucesso rápido demais, isto é, que conquistam objetivos típicos de uma etapa seguinte, depois de adquirir a experiência necessária para aproveitá-lo.
O que fazer para que a sorte não se transforme em azar
Isso significa que é melhor não ter sorte e não agarrar as oportunidades quando aparecem? De modo algum! O que acontece nesses casos em que a sorte chega cedo demais é que a inexperiência causa um estresse excessivo sobre o músico. Como pessoas diferentes reagem de forma diferente ao estresse, as pessoas mais sensíveis acabam cometendo erros fatais quando submetidas a excesso de pressão, um problema que poderia ser evitado com um pouco mais de experiência na etapa anterior. Assim, se você tiver sorte e o sucesso chegar cedo demais, é bom estar preparado de antemão para suportar uma carga maior de estresse em seu dia a dia.
O que esperar do próximo artigo
No próximo artigo desta série, que será publicado na próxima quinta-feira, dia 5 de abril de 2012, abordaremos as qualidades básicas que são realmente fundamentais para começar sua trajetória de sucesso e um método simples para criar indicadores de desempenho para medir a eficácia de suas estratégias. Até a semana que vem!
Leia a série completa de artigos de marketing para músicos iniciantes!
Parte 1 – Etapas para uma trajetória de sucesso
Parte 2 – Método para chegar ao sucesso












