Categoria - Marketing
Marketing para músicos iniciantes – Parte 4 – Procure o palco
Este é um princípio com que praticamente todos os músicos bem sucedidos concordam: o bom músico se faz no palco. É no palco que você tem a oportunidade de provar para si mesmo que já adquiriu o nível mínimo de competência técnica. É no palco que você aprende a se comunicar com o público e descobre na prática que sua profissão é divertir pessoas. É no palco que você aprende o que dá certo e o que não dá. É no palco que você aprende a enfrentar o nervosismo e a timidez, abrindo espaço para a expressão dos seus verdadeiros talentos.
Deste modo, assim que você reunir um nível mínimo de competência técnica para seu estilo musical, sua maior preocupação deve ser agarrar todas as oportunidades de apresentar-se em público.
O tamanho e o tipo de plateia não são importantes neste estágio
Enquanto você não consegue seu primeiro contrato para apresentar-se diante de 100 mil pessoas em um estádio de futebol, há muito que você pode fazer para adquirir suas primeiras experiências. Faça uma apresentação solo para seu namorado ou sua namorada. Reúna meia dúzia de amigos para jantar em sua casa e apresente-se para eles. Aproveite as reuniões de família, como dia das mães, Páscoa e Natal e… Apresente-se. Seja oferecido! Apresente-se na escola, na faculdade, em festas.
O importante, neste estágio é adquirir experiência no “palco”, ainda que o seu palco seja o sofá de sua sala. Sua tarefa é observar a reação das pessoas à sua música. Procure entender que tipo de repertório ou técnica agrada a que tipo de pessoa. Tente lembrar-se de que a intenção do seu público não é magoar você, mas apenas divertir-se. Se você quer que as pessoas paguem para se divertir com sua música, você precisa primeiro aprender como divertir as pessoas com sua música!
O estilo de música não é importante neste estágio
Provavelmente, você procura seguir um estilo que ama ouvir e deseja tocar acima de tudo. Isso é ótimo e será muito importante no estágio seguinte de sua carreira, que vamos abordar no próximo artigo. Mas, neste momento, a oportunidade de aprender os elementos fundamentais das apresentações em público são mais importantes do que o estilo musical. Assim, se você tem amigos que mantêm uma banda que toca um estilo de música radicalmente diferente do seu estilo preferido, você deveria ser capaz de aproveitar a oportunidade de se apresentar com eles algumas vezes, mesmo que seja para executar uma ou duas músicas como “artista convidado”.
Seja sociável
Este é outro conselho muito repetido pelos músicos de sucesso: agarre-se a todas as oportunidades de tocar/cantar com outros músicos. Os benefícios citados são muito variados, mas podemos citar como mais importantes:
- Musicalidade: você aprenderá mais sobre ritmo e harmonia em um ensaio livre com outros músicos do que em um ano de aulas teóricas. Além disso, você aprenderá como sua execução realmente soa quando em conjunto com outros instrumentistas ou cantores, aperfeiçoando continuamente sua técnica.
- Espírito de equipe: você aprenderá quando dar um passo à frente e quando dar um passo atrás, quando deve ocupar espaço e quando deve ceder espaço. Você também aprenderá a cobrir as falhas dos outros e a permitir que os outros corrijam suas falhas, construindo relações de confiança.
- Disciplina: o trabalho em grupo leva as pessoas a se comprometerem com um objetivo comum e, consequentemente, a um compromisso maior com o resultado final.
- Negociação: você aprenderá a gerenciar egos, a começar pelo seu próprio, ganhando progressivamente uma percepção mais precisa sobre quando deve ceder e quando deve fincar o pé.
Uma dica importante nesta etapa é privilegiar os relacionamentos pessoais. Mesmo que você não se entenda musicalmente com algumas pessoas, tente relevar os eventuais desentendimentos e procure preservar a amizade dessas pessoas. As amizades que você fizer agora poderão ser vitais nas próximas etapas de sua carreira.
A oportunidade de ouro: apresentar-se com pessoas mais experientes do que você
Apresentar-se sozinho ou com pessoas tão inexperientes quanto você pode ser a única solução durante algum tempo, mas você deve trabalhar ativamente para ampliar sua rede de relacionamentos e fazer amizade com músicos mais experientes do que você. No momento certo, você deve oferecer-se para assistir a um ensaio dessas pessoas, nem que seja para vê-los em ação. Havendo oportunidade de tocar ou cantar, ainda que apenas um pouquinho, durante um ensaio, aproveite para mostrar sua arduamente adquirida competência técnica. Não seja tímido: havendo oportunidade de compartilhar suas ideias, diga o que tem em mente. Se houver uma vaga, ofereça-se para ocupá-la ou para submeter-se a um teste.
Apresentar-se com músicos mais experientes representa sua oportunidade de ouro neste estágio, independentemente do estilo musical, porque além dos benefícios gerais que já mencionamos, você terá a oportunidade de observar e aprender:
- Como ensaiar profissionalmente: você notará imediatamente que um ensaio que reúne músicos experientes envolve um nível muito maior de concentração, atenção e eficiência. Por outro lado, a experiência traz a esses músicos uma tranquilidade e uma autoconfiança que você não verá em reuniões de músicos menos experientes.
- Detalhes da produção: você vai entender como funcionam os preparativos de equipamentos, som, luz, figurino, além de descobrir mil truques e macetes para todos os tipos de situação.
- Comunicação e capacidade de divertir o público: Este é o ponto-chave – é neste momento que sua competência técnica arduamente adquirida será mais útil no seu caminho para o sucesso. Procure observar tudo o que os outros músicos fazem no palco durante a apresentação e qual a reação da plateia a esses comportamentos. Se possível, tome nota depois da apresentação, reflita sobre os dados que reuniu e vá, gradativamente, desenvolvendo um estilo próprio de tocar ou cantar.
O grande objetivo desta etapa
Não é possível enfatizar demais: seu maior objetivo nesta etapa é aprender a usar sua música para se comunicar com o público. O seu sucesso como músico depende inteiramente de sua capacidade de agradar a um público, de divertir certas pessoas. Essa não é uma habilidade que você pode aprender em um curso ou ensaiando sozinho em uma garagem: é essencial mostrar-se o máximo que puder para a maior quantidade e variedade possível de pessoas.
Note que, nesta etapa, o importante é perceber o que agrada às pessoas em geral, independente do estilo. Quando você adquirir experiência suficiente, chegará o momento de impor o seu estilo e criar sua personalidade musical, temas que abordaremos na próxima quinta-feira. Até lá!
Geração do Milênio e o marketing em mídias sociais no Brasil
O Boston Consulting Group (BCG) realizou um estudo sobre a geração do Milênio (também conhecida como “geração Y”) nos Estados Unidos, procurando identificar seus hábitos de consumo e entender melhor seu relacionamento com as marcas. A pesquisa envolveu entrevistas com 4000 membros da geração do Milênio – pessoas entre 16 e 34 anos – e 1000 indivíduos com idade entre 35 e 74 anos, definidos como “não-Milênios”. Para efeito de simplificação da linguagem, vamos nos referir aos membros da geração do Milênio neste artigo como “Milênios”.
Percepção e autopercepção dos Milênios
A primeira pergunta importante do estudo revela diferenças no modo como os Milênios percebem a si mesmos e como são percebidos pelos não-Milênios. Confira a “tag cloud” da figura 1.
Figura 1 – Os Milênios têm uma visão geralmente favorável de si mesmos, em contraste com a avaliação muito mais severa dos não-Milênios. Fonte: BCG
Uma consequência fundamental dessa diferença de percepção é a vantagem que terão as empresas capazes de superar seus próprios preconceitos e de aceitar, compreender e explorar a autopercepção dos Milênios em suas ofertas de produtos e marcas.
Os Milênios, como se suspeitava, são notórios consumidores de tecnologia, sentindo-se extremamente confortáveis com as inovações tecnológicas. Veja alguns dados na figura 2.
Figura 2 – Nascidos num mundo digital, os membros da geração do Milênio são mais confortáveis com a inovação tecnológica. Fonte: BCG Imagem: Géssica Hellmann & Cia.
Mais tempo online, menos tempo diante de livros impressos e da TV. Somente 26% dos Milênios passam mais de 20 horas semanais diante da TV, contra 49% dos não-Milênios, sendo mais provável que o façam através de serviços online do que no aparelho tradicional.
Traços comportamentais e atitudes dos Milênios
Com relação às atitudes e comportamentos genéricos relacionados à geração, o BCG destaca 4 traços fundamentais do Milênios:
- Imediatismo: Facilidade, rapidez, eficiência e conveniência são fatores extremamente valorizados em todas as relações de consumo. Como estão sempre apressados, uma questão chave para o marketing é determinar como fazê-los gastar mais tempo com sua marca.
- Testemunhos: a autoridade mais confiável para testemunhar sobre a qualidade de um produto é o usuário com uma experiência de primeira mão para relatar, mais do que o profissional ou o acadêmico. A probabilidade de que um Milênio procure saber mais sobre uma marca nas redes sociais é de 53% contra 37% entre os não-Milênios.
- Sociabilidade: Os Milênios usam a tecnologia para conectar-se a um número maior de pessoas, com maior frequência e em tempo real. Usam mais as mídias sociais, têm maior número de “amigos” e “seguidores” do que os não-Milênios, e concordam fortemente com a noção de que suas vidas são mais ricas quando estão conectados a pessoas nas mídias sociais.
- Causas: Os Milênios acreditam mais em incorporar às causas a seu dia a dia, por exemplo, comprando produtos associados a uma causa, do que fazendo doações isoladas em dinheiro. Por outro lado, o engajamento em trabalho voluntário é bem menor do que esperado, tendo sido cunhada a palavra “folgativismo” (“slacktivism” em inglês) para descrever o engajamento que requer pouco esforço pessoal.
Segmentação dos Milênios
Sendo óbvio que há imensas variações individuais dentro de uma mesma geração, o BCG realizou um esforço de segmentação, identificando seis grupos principais.
- Hip-ênios: Representam 29% do total. Identificam-se com a frase. “Eu posso fazer do mundo um lugar melhor”. Definidos como consumidores cautelosos, dotados de consciência global, espirito beneficente, ávidos por informação. São os maiores usuários de mídias sociais, mas não contribuem com muito conteúdo. A maioria são mulheres com empregos abaixo da média.
- Gurus de gadgets: Somam 13% do total. Identificam-se com a frase “É um grande dia para ser eu”. Bem sucedidos, antenados, confiantes, sentem que esta é sua melhor década. São grandes consumidores de dispositivos tecnológicos e contribuem fortemente com conteúdo. A maioria é de homens solteiros com renda acima da média.
- Mamães do Milênio: Somam 22% e sua frase é “Eu adoro fazer ginástica, viajar e mimar o meu bebê”. São ricas, confiantes, orientadas para a família, praticam atividades físicas. São íntimas de tecnologia, intensas em sua atividade online, altamente sociáveis e ávidas por informação. Podem se sentir isoladas em sua rotina diária. São mais velhas e com a renda mais alta.
- Verde e Limpo do Milênio: Somando 10%, sua frase é “Eu posso cuidar de mim mesmo e do mundo à minha volta”. Impressionáveis, orientados para causas, saudáveis, verdes, otimistas. Contribuem com grande volume de conteúdo, normalmente relacionados a alguma causa. Em sua maioria são homens, jovens, hispânicos, estudantes em tempo integral.
- Anti-Milênio: Representam 16% do total e sua frase é “Estou ocupado demais cuidando de meus negócios e da minha família para me preocupar com outras coisas”. Conservadores, com mentalidade local, não estão dispostos a gastar mais por produtos “verdes”. Procuram conforto e familiaridade em vez excitação, mudança ou interrupções em sua rotina. Maioria de mulheres, hispânicas, moradores do Oeste dos Estados Unidos.
- Milênio da velha escola: Totalizam 10%. Sua frase: “O Facebook é muito impessoal, vamos nos encontrar para tomar um café”. Consumidores cautelosos, confiantes, independentes, autodirecionados. Gastam o menor tempo online entre todos os segmentos. São mais velhos e, mais provavelmente, hispânicos.
Consequências para o empresário brasileiro
É evidente que uma descrição de mercado em termos como os da pesquisa do BCG exerce um imenso impacto sobre as decisões de marketing das empresas atuantes nos Estados Unidos. Desde o conceito do produto até o seu design, distribuição, preço e comunicação, tudo deverá ser adaptado para adequar-se à descrição do seu consumidor-alvo, tendo em vista o seu comportamento e os seus valores. Entretanto, o fato da pesquisa ter sido realizada nos Estados Unidos pode suscitar a crítica fácil de que “a realidade brasileira é diferente e, portanto, esses resultados não servem para nossa realidade”.
Em primeiro lugar, é preciso considerar que a realidade brasileira não é estanque em relação ao resto do mundo. Cada vez mais, nossa população está conectada à internet, utilizando serviços e produtos móveis. Por exemplo, no mês de março de 2012, o número de celulares em todo o Brasil ultrapassou a barreira dos 250 milhões, sendo que os acessos 3G chegaram a 52 milhões.
Em segundo lugar, a atração da população brasileira pelas redes sociais sequer chega a ser novidade, como atesta pesquisa da Experian Marketing Services, que revela que os acessos ao Facebook no fim de semana já superam os acessos ao Google.
Em terceiro lugar, os serviços de redes sociais mais populares, sendo a maioria deles originários e sediados nos Estados Unidos, expõem nossa população ao convívio diário com os valores e comportamentos típicos da população americana, sendo natural uma absorção ainda que parcial dessa visão de mundo.
Em quarto lugar, a população brasileira também está exposta ao marketing nas redes sociais e também vai consolidando na posição de objetos de desejo os mais diversos gadgets tecnológicos, sendo natural o compartilhamento de informações sobre os diversos produtos.
Em quinto lugar, como o marketing está se tornando cada vez mais global, as marcas estrangeiras disseminam ao redor do mundo mensagens promocionais desenvolvidas com base em caracterizações de público-alvo geradas no mercado norte-americano.
Considerando todos esses fatores, embora evidentemente não seja possível dizer que os resultados da pesquisa do BCG se aplicam diretamente ao caso brasileiro, consideramos pouco razoável descartá-los aprioristicamente sem a aplicação de um estudo semelhante à nossa população.
O que o bom senso nos diz é que toda a informação em torno da geração dos Milênios e o imenso interesse pela expressão geração Y provavelmente acaba por gerar pelo menos um efeito de profecia autorealizável: os jovens passarão a crer que participam da geração Y com base no que leram sobre a geração Y e com base no que o marketing das empresas globais comunicam sobre esse público.
Figura 4 – O Google Trends informa uma explosão de interesse pela expressão "Geração Y" a partir de 2010
Sendo assim, os empresários brasileiros devem atuar cada vez mais nas redes sociais com o objetivo de coletar informações em primeira mão com esse público, registrando suas semelhanças e diferenças com o caso americano e usando esse precioso recurso para gerar vantagem competitiva sobre seus competidores internacionais.
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Marketing para músicos iniciantes – Parte 3 – Adquirindo competência técnica
Marketing musical: a competência técnica é o primeiro passo para o sucesso – Imagem por Géssica Hellmann
No artigo anterior, tratamos do estabelecimento de objetivos. Explicamos como fazer uma programação de tarefas semanais e mensais para concretizar uma realização de maior alcance num horizonte de 6 meses a 2 anos. Neste artigo, iniciamos a parte “mãos à obra”’desta série, permitindo que o músico identifique em que etapa da carreira ele se encontra e o que deve fazer em cada uma delas.
Finalmente, as etapas!
Talvez a maior dificuldade que as pessoas enfrentam para cumprir a tarefa de estabelecer os seus objetivos seja, justamente, conseguir vislumbrar qual resultado seria realista esperar dentro de seis meses, considerando a etapa da carreira em que você se encontra hoje. Esse problema ocorre especialmente porque você, provavelmente, sequer sabe em que etapa sua carreira se encontra hoje!
Sendo assim, os próximos artigos desta série serão dedicados à descrição das etapas da carreira musical que antecedem o sucesso profissional propriamente dito, para que você identifique que tarefas precisa realizar e que objetivos deve perseguir durante os próximos anos.
Etapa 1 – Adquira o nível mínimo aceitável de competência técnica em seu estilo musical
Antes de entrarmos nos detalhes desta etapa, você vai gostar de ler alguns exemplos de situações reais.
Quatro exemplos práticos de competência técnica
Cena 1: Uma cantora iniciante mas que já havia obtido algumas boas críticas em jornais conseguiu agendar um show no teatro de uma grande empresa. Seu show consistia em nada menos do que um conjunto de covers de Elis Regina, nos quais ela poderia exibir sua apuradíssima técnica vocal. Sala cheia, acompanhada de bons instrumentistas, cantou várias músicas e já começava a empolgar o público quando, simplesmente, esqueceu a letra de uma das canções. Tentou improvisar, engasgou, interrompeu a canção. Pediu desculpas constrangidas à plateia e, daquele ponto em diante, o show perdeu o encanto.
Cena 2: Show do guitarrista Victor Biglione em um pequeno espaço de jazz. Em plena execução de um solo mais complexo, a corda número 1 de sua guitarra arrebentou. O experiente guitarrista continuou tocando sua música, adaptando-se à ausência da corda número 1, até o ponto em que a corda número 2 também arrebentou. Ele ainda tentou continuar tocando mas, vendo que era impossível, pediu duas cordas ao assistente de palco e trocou-as tranquilamente enquanto o restante da banda prosseguia com a execução, preenchendo os espaços deixados pela guitarra com solos de teclados e outros instrumentos. Com cordas trocadas e afinadas, fez um sinal à banda para tocar os últimos compassos e completar a música. O público foi ao delírio.
Cena 3: Show da banda Quiet Riot na década de 1980. Tudo estava correndo bem quando os amplificadores de guitarras deixaram de funcionar. Durante os longos 20 minutos necessários ao conserto dos amplificadores, o vocalista Kevin Dubrow dedicou-se a divertir a plateia contando piadas e conversando com o público. A notícia correu o mundo e, certamente, ajudou a aumentar ainda mais o sucesso de uma banda que estava no seu auge.
Cena 4: Show ao ar livre do cantor Daniel em praia do litoral catarinense. O show mal havia começado quando um blackout afetou toda a cidade. Após acalmar o público convidando-o a se sentar, o artista reaparece para apresentar seu show em cima do próprio caminhão equipado com sistema de som próprio. Após o restabelecimento da energia elétrica, o artista voltou ao palco para completar o show diante de uma plateia entusiasmada diante de seu profissionalismo.
Qual o ponto chave para entendermos as lições das quatro cenas anteriores? Sem dúvida, é a competência técnica entendida em seu sentido mais amplo: não se trata apenas de “saber fazer o certo”, mas também de “saber o que fazer quando as coisas dão errado”.
Obtenha indicadores de desempenho realistas sobre sua competência técnica
Embora pareça óbvio que todo músico precisa de um mínimo de competência técnica caso queira ter uma chance real de impressionar o seu público, esta etapa é justamente a que produz o maior número de enganos. Muitas carreiras musicais promissoras foram abortadas logo nesta primeira etapa, por erro de avaliação do músico quanto à própria competência.
O primeiro ponto é observar que o erro ocorre nas duas direções. É possível encontrar muitos casos de músicos “afobados” que tentaram se estabelecer profissionalmente antes de obter a competência mínima necessária para se apresentar em público e, após vários fracassos, acabaram desistindo da carreira. Mas também há uma multidão de casos de músicos excessivamente auto-exigentes, cujo perfeccionismo os impede de se considerarem “prontos” para se apresentar em público, mesmo que já tenham estudado e praticado por décadas a fio.
Para fugir dessa armadilha, é preciso estabelecer indicadores de desempenho realistas. Em primeiro lugar, você precisa pesquisar quais são as competências técnicas mínimas exigidas de um músico em seu próprio estilo musical. Talvez você não esteja pronto para uma grande estreia em certo estilos que exijam execução perfeita, mas é possível que sua técnica já seja bastante aceitável para outros estilos em que, por exemplo, elementos como “atitude” e “energia” sejam mais importantes do que um eventual virtuosismo.
Em segundo lugar, é importante procurar opiniões qualificadas sobre suas competências técnicas. Um professor de música, um maestro ou um músico profissional experiente sem dúvida poderão fornecer alguns indicadores práticos para orientá-lo na formulação de seus objetivos nesta etapa. De qualquer forma, arme-se do espírito de “detetive” e mantenha disposição para ir além das respostas mais superficiais. Quando o objetivo é descobrir uma forma de avaliar a si mesmo, sempre é bom perguntar a mais de uma pessoa. Também é conveniente observar pessoalmente, comparecendo a apresentações de músicos experientes e tomando nota das competências que você pode se esforçar para adquirir após 6 meses, 1 ano, 18 meses ou 2 anos de treino.
Conselhos práticos
Seguem alguns conselhos aparentemente óbvios, mas extremamente úteis:
- Domine a técnica da sua música. Seja você um instrumentista, cantor ou compositor, mais de 50% de sua competência técnica corresponde a saber fazer corretamente o que se espera de você: compor, cantar, tocar corretamente as músicas que você escolheu apresentar ao seu público.
- Ensaie obsessivamente. O objetivo aqui é fazer mais do que “tocar ou cantar sem errar”: o que você deseja é tocar ou cantar com tamanha naturalidade que o público não perceba seu esforço.
- Ensaie o que fazer em situações em que as coisas dão errado. Por exemplo, você pode ensaiar previamente o que fazer em uma situação em que o cantor esqueça a letra, uma guitarra perca uma corda ou aconteça uma pane elétrica nos amplificadores.
- Aprenda a fazer a manutenção básica do seu equipamento/instrumento. Cabos, microfones, amplificadores, pedais, teclados, baquetas, cordas, palhetas, tudo isso requer cuidados especiais de transporte, armazenagem, manuseio e utilização. Aprenda quais são esses cuidados e saiba pelo menos realizar uma manutenção preventiva quando for o caso. Desta forma, você evitará surpresas desagradáveis em momentos cruciais de sua carreira.
- Tenha backups. Teoricamente, você deveria ter pelo menos um backup de cada item que pode dar defeito durante uma apresentação. Entretanto, esse ideal pode se tornar facilmente inviável tanto do ponto de vista financeiro como do logístico. Assim, você deve decidir quais são os itens que não podem faltar em hipótese alguma durante uma apresentação em público e providenciar backups para esses itens. Para os demais itens, procure ensaiar o que fazer para manter o respeito do público caso você precise deles e não os tenha à mão.
A importância da competência técnica é poupar energia para o aprendizado nas etapas seguintes
Vale repetir: competência técnica é mais do que simplesmente saber fazer o certo, é saber o que fazer quando as coisas dão errado. De fato, o objetivo aqui é conhecer todos os detalhes que fazem a qualidade de uma apresentação do seu estilo musical e tomar todas as providências para que todos os aspectos principais de suas apresentações em público tenham sempre a maior probabilidade possível de funcionar bem do início ao fim. Ao atingir esse objetivo, você estará pronto para se apresentar em público e causar uma excelente impressão em sua plateia, mesmo que se trate de sua estreia.
Mais do que isso: ao atingir o estágio em que você tem sob seu controle todos os elementos básicos de uma apresentação musical em público, você libera energia do seu cérebro para as etapas seguintes, em que a chave do sucesso é o aprendizado por observação. Você simplesmente não conseguirá observar nada se, durante o todo o tempo em que estiver no palco, você ficar preocupado em conseguir tocar o próximo acorde ou em se lembrar da próxima estrofe. Você precisa de confiança na sua capacidade de resolver esses problemas básicos. Fique certo de que o público perceberá sua confiança e responderá de acordo.
O que esperar do próximo artigo
A aquisição de competência técnica é uma etapa que não deveria ser “queimada” por músico algum. Afinal, ela propicia o fundamento de tudo mais que virá a seguir. Mas é apenas a primeira etapa. O objetivo é libertar o músico da ansiedade com pequenos detalhes, deixando-o à vontade para aprender e evoluir nas etapas seguintes. O próximo artigo trata justamente das primeiras experiências de apresentação em público, enfatizando, como sempre, os objetivos de aprendizagem que se deve perseguir nessa etapa. Até a próxima quinta-feira!
Marketing para músicos iniciantes – Parte 2 – Método para chegar ao sucesso
Marketing musical: os músicos já tem as qualidades essenciais para o sucesso – Imagem por Géssica Hellmann
No primeiro artigo desta série sobre Marketing para músicos iniciantes, enfatizamos o fato de que a diferença entre os músicos bem sucedidos e os demais é a sua trajetória. Entretanto, muito provavelmente, boa parte dos músicos bem sucedidos que você conhece seguiu essa trajetória com base em sua intuição, seguindo o doloroso método da experiência e erro, do que em uma decisão consciente de seguir um método racional. Nosso objetivo neste artigo, portanto, é apresentar a você uma metodologia prática que você pode aplicar conscientemente para reproduzir em sua própria carreira a trajetória dos músicos cujo sucesso você mais admira.
Você já tem as qualidades básicas para começar
As maiores virtudes de que a maioria dos músicos precisa para obter sucesso é a paciência aliada à capacidade de perseguir objetivos. Basicamente, você precisa do seguinte:
(1) Decisão. Decida o que deseja conseguir. O importante aqui é ser específico. “Ser um sucesso” e “conquistar muitos fãs” são desejos válidos, mas que não vão ajudá-lo muito nesta fase. Alguns exemplos de coisas que você pode definir aqui de uma forma útil são, por exemplo, “receber convites para tocar em festas e bailes”, “participar em festivais”, “realizar minha primeira apresentação solo”, “participar em gravações de estúdio com músicos mais experientes”.
(2) Prazo. Defina um prazo para transformar esse desejo em realidade. A maior importância do prazo é que ele é um poderoso motivador. O prazo cria uma pressão que obriga as pessoas a manter uma disciplina que as leva a executar diariamente as tarefas necessárias à realização do desejo.
(3) Programação. Divida seu objetivo maior em objetivos menores e defina tarefas diárias para realizar os objetivos menores dentro do prazo menor. Por exemplo, você pode dividir seu objetivo para seis meses em objetivos semanais. Se você souber no domingo o que precisa realizar até o sábado seguinte, será mais fácil decidir o que precisa fazer na segunda, na terça, e assim por diante.
(4) Mãos à obra. Trabalhe todos os dias, com inteligência e disciplina, para realizar seu objetivo. A partir de quando? A partir do dia em que tomar a decisão – que tal hoje? – até data limite que define o seu prazo!
(5) Controle e corrija. Estabeleça uma rotina para conferir os resultados obtidos e fazer mudanças caso as coisas não estejam progredindo exatamente como você esperava. Uma boa sugestão é definir previamente as datas para sessões de avaliação e controle. Assim, programe uma data por mês para um rápido balanço das suas realizações, dificuldades e soluções dentro daqueles mês específico. Programe também uma grande avaliação semestral para reavaliar suas estratégias e objetivos para o semestre seguinte, considerando os registros das avaliações e correções realizadas durante o semestre.
Repare que, sendo você um músico, você já faz todas essas coisas há muitos anos, desde a primeira vez em que decidiu arregaçar as mangas e aprender a sua arte!
Senão, vejamos. Primeiro, você decidiu que queria aprender a tocar um instrumento ou cantar. Em seguida, procurou um professor, um método ou um curso, com o objetivo de aprender certas habilidades dentro de seis meses, outras habilidades dentro de um ano e assim por diante. Estudou e praticou todos os dias, várias horas por dia, para adquirir essas habilidades. Finalmente, pôs suas habilidades à prova, arriscando-se a executar algumas músicas sob o olhar avaliador do seu professor ou de um pequeno público e usou essa experiência para decidir o que precisava melhorar.
O que você precisa fazer a partir de agora é começar a aplicar essa disciplina adquirida no longo aprendizado da música à gestão de sua carreira. E você pode começar tomando a decisão sobre o objetivo que vai perseguir durante os próximos seis meses. O restante deste artigo é dedicado a ajudar você nessa tarefa.
O primeiro passo é definir alguns indicadores sobre o que você considera “sucesso”. Por exemplo, se você for um músico iniciante, um indicador muito adequado pode ser o número de convites mensais para apresentar-se em público para pequenas plateias, como festas e saraus, por exemplo. Tendo definido os indicadores, defina o valor que você deverá perseguir para cada um desses indicadores dentro de 6, 12, 18 e 24 meses. Vejamos um exemplo prático:
| Indicador de Sucesso | 6 meses | 12 meses | 18 meses | 24 meses |
| Convites para apresentar-se em festas e bailes | 1 convite por mês | 2 convites por mês | 4 convites por mês | 8 convites por mês |
Repare que, no exemplo, esse músico vai considerar que obteve sucesso se, após 2 anos de carreira, estiver se apresentando 2 vezes por semana em festas e bailes. A importância desse exemplo é ressaltar para você que, na maioria dos casos, o sucesso vem sob a forma de regularidade, isto é, de resultados que se repetem de maneira mais ou menos uniforme ao longo do tempo. Tenha em mente esse conceito quando for estabelecer seus próprios objetivos.
Como prever o futuro?
Talvez você ache difícil estabelecer metas precisas para prazos tão longos, especialmente se estiver bem no começo de sua carreira. Tranquilize-se. Em primeiro lugar, os primeiros objetivos que você traça servem apenas como parâmetro de sucesso e incentivo ao trabalho. Muito provavelmente, os resultados realmente obtidos serão bem diferentes do que você imaginou.
Em segundo lugar, o fato de você adotar uma programação semanal e avaliações periódicas para controle de resultados e correções de rumo levará você a perseguir objetivos cada vez mais realistas. Note que essas sessões periódicas de controle e avaliação servem principalmente para corrigir suas ações e sua rotina, mas também servem para corrigir seus próprios objetivos!
Mesmo que você tenha sido um pouco otimista ou pessimista demais ao formular o seu plano, a cada novo mês ou trimestre você terá a oportunidade de reavaliar suas próprias expectativas e corrigir suas previsões de prazo e resultados.
À medida que o tempo passa e você acumula experiência, você começa a ter uma visão bastante precisa quanto do que é capaz de realizar dentro de quanto tempo. Portanto, não se preocupe em ter hoje a melhor previsão do mundo: concentre-se, isso sim, em ter a maior disciplina do mundo na hora de transformá-la em realidade.
Mas ainda estamos bem no começo…
Neste artigo, estabelecemos a base metodológica para o seu sucesso. Nossa sugestão é que você dedique a próxima semana a formular seu próprio plano de ação, tomando decisões sobre objetivos, prazos, programação e controle. Esta, provavelmente, será a semana mais importante de sua carreira, portanto, leve a sério este compromisso com seu próprio sucesso e ponha mãos à obra! No próximo artigo, que será publicado no dia 12 de abril de 2012, vamos começar o estudo das etapas da sua carreira e da estratégia que você deve adotar em cada uma delas. Até a próxima quinta!
Leia a série completa de artigos de marketing para músicos iniciantes!
Parte 1 – Etapas para uma trajetória de sucesso
Parte 2 – Método para chegar ao sucesso
Pesquisa revela os principais benefícios das mídias sociais na visão dos executivos de marketing
Marketing em Mídias Sociais: investimento que dá saborosos resultados para empresas de todos os segmentos – Imagem por Géssica Hellmann
Hoje, vamos comentar os principais achados da pesquisa “Relatório 2012 da Indústria do Marketing nas Mídias Sociais: como os profissionais de marketing estão usando as mídias sociais para o crescimento de seus negócios” (em inglês), conduzido por Michael A. Stelzner, CEO e fundador do Social Media Examiner.
Importância da Mídia Social
Nada menos que 83% dos profissionais de marketing entrevistados consideram que o marketing em mídias sociais é importante para seus negócios, sendo que os empreendedores individuais têm maior probabilidade de concordar fortemente com essa afirmação do que os demais. É fácil entender porque os empreendedores individuais e pequenas empresas concedem tanta importância às mídias sociais, já que operam com recursos limitados para investimento em mídia.
Tempo investido
Um total de 58,8% dos profissionais de marketing investe mais de 6 horas semanais em atividades de mídia social, sendo que 14,4% investem mais de 20 horas semanais. Os profissionais mais experientes tendem a investir mais horas do que os menos experientes mas, como a experiência traz maior eficiência, a pesquisa observa que os profissionais mais experientes estão investindo menos tempo em 2012 do que em 2011.
O fator idade
Quanto mais jovem é o profissional, maior o tempo semanal investido nas mídias sociais, com 43% dos profissionais entre 20 e 29 anos gastando 11 horas semanais ou mais nessas atividades.
Principais benefícios das mídias sociais
O principal benefício citado pelos profissionais de marketing foi aumento da exposição da marca (85%). Em seguida, cita-se o aumento na visitação do site da empresa (69%), a melhor compreensão do ambiente de mercado (65%), a geração de leads, isto é, contatos comerciais com potencial de resultar em vendas (58%) e o desenvolvimento de lealdade à marca por parte dos fãs (58%).
Aumento nas vendas
O marketing em mídias sociais é um investimento intensivo em relacionamentos de longo prazo que resulta em aumento nas vendas. Um total de 58% dos profissionais com mais de 3 anos de experiência em mídias sociais relata aumento nas vendas em decorrência de suas ações nas mídias sociais, sendo que mais de 65% dos profissionais que investem mais de 30 horas semanais declaram obter geração rotineira de novos negócios através das mídias sociais.
Aumento na exposição da marca
Mesmo com um mínimo investimento em tempo semanal, 85% dos profissionais declaram obter aumento na exposição de seus negócios usando as mídias sociais, sendo que esse número sobe para 95% entre aqueles que estão ativos nas mídias sociais há 3 anos ou mais.
Parcerias de negócios
Os profissionais que investem mais tempo e que têm maior experiência nas mídias sociais são os que declaram conseguir o maior número de parcerias de negócios. Os números variam entre 44% para os que estão há pelo menos 6 meses em atividade nas mídias sociais até 72% entre os que estão há 3 anos ou mais. Esses números demonstram que o imenso potencial das redes sociais para a troca de ideias e informações entre profissionais transforma-as em um manancial de parcerias de negócios.
Geração de leads
Mesmo entre os profissionais que investem apenas 6 horas semanais, 61% veem nas mídias sociais um meio para geração de leads. O percentual sobe para 65% entre as empresas de pequeno porte e para 78% entre os profissionais com 3 anos ou mais de experiência.
Redução nos custos de marketing
O maior custo do marketing em mídias sociais é o tempo investido para obter sucesso. Metade dos profissionais que investem pelo menos 11 horas semanais relatam o benefício da redução nos custos de marketing. Esse efeito é mais sensível em empresas de individuais (57%) e de pequeno porte do que nas empresas de porte médio a grande.
Aumento no número de visitas ao site da empresa
Dos profissionais que investem 6 ou mais horas semanais, 74% observam aumentos no número de visitas ao site da empresa. Entre os que têm 3 anos ou mais de experiência, o número sobe para 84%, sendo esse um benefício mais fortemente observável entre as empresas de grande porte (75%) do que entre os pequenos negócios (68%).
Inteligência de mercado
Somam 70% os profissionais com mais de 1 ano de experiência que usam as mídias sociais para obter uma melhor compreensão do ambiente de mercado, sendo que esse objetivo é mais fortemente perseguido por empresas que atuam no mercado de vendas corporativas (B2B), somando 68%, do que no mercado de vendas ao consumidor (B2C), onde a soma é 59%.
Construção de lealdade entre os fãs
A conquista de uma base de fãs leais é um benefício relatado mais frequentemente entre as empresas que atuam no mercado consumidor – B2C (63%) do que no mercado corporativo – B2B (54%). A relação com o tempo investido é direta: este benefício foi relatado por 60% dos que investem 6 ou mais horas semanais contra 46% dos que investem 5 horas ou menos.
Conclusão
O marketing em mídias sociais é uma ferramenta de eficácia reconhecida pelos profissionais de marketing, tanto no mercado corporativo (B2B) quanto mercado consumidor (B2C). A obtenção de resultados, porém, requer o investimento disciplinado de um bom número de horas semanais ao longo de meses ou anos. Para quem deseja obter resultados com maior rapidez, a solução, inevitavelmente, é terceirizar as ações em mídias sociais, contratando uma empresa com profissionais experientes e dedicação em tempo integral. Nós, na Géssica Hellmann & Cia, atuamos em marketing de conteúdo e divulgação em redes sociais desde 2005, com resultados comprovados para diversos clientes nos mais diversos segmentos de mercado. Entre em contato através do formulário a seguir para conversar sobre estratégias de ação nas mídias sociais para sua empresa.






